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Ebola: quais os riscos de tansmissão de animais para o homem?

Um estudo publicado em 2005 sugeriu um risco teórico de transmissão por cães em contato com o vírus.

A eutanásia do cão da auxiliar de enfermagem espanhola infectada com o vírus Ebola, Teresa Romero, levanta questões sobre o papel dos animais de estimação na transmissão da doença, enquanto a propagação do vírus por animais selvagens já é mais bem conhecida.


Os animais de estimação, como cães e gatos, podem transmitir o vírus a humanos?
No estado atual do conhecimento, "não há nenhuma prova científica de que os animais domésticos tenham um papel ativo na transmissão da doença aos humanos", garantiu o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Bernard Vallat.


A afirmação foi corroborada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs, em inglês) americanos, que afirmam que nenhum caso de animal de estimação (cão, ou gato) doente foi registrado.


Que suspeitas pesam sobre os cães?


Um estudo publicado em 2005 sugeriu um risco teórico de transmissão por cães em contato com o vírus durante uma epidemia no Gabão (2001-2002). Os cães poderiam infectar os humanos pela urina, por material fecal, ou pela saliva. Mas "são apenas hipóteses, já que se trata de um estudo retrospectivo", segundo o principal autor da investigação, Eric Leroy.


Uma oportunidade perdida?


O caso do cão de Tereza era uma oportunidade de estudo "única", declarou à AFP Eric Leroy, diretor-geral do Centro Internacional de Pesquisas Médicas de Franceville, no Gabão, condenando o sacrifício do animal.
"Um acompanhamento virológico, biológico e médico poderia ter sido feito para trazer um grande número de informações importantes", alegou o pesquisador, que há anos reivindica estudos complementares sobre os cães.


E os outros animais?


Os veterinários delegados da OIE instalados na África Ocidental mantêm um olhar "vigilante" sobre os animais de estimação nas regiões afetadas pela epidemia. Em relação aos porcos, que compartilham características comuns com os humanos na epidemiologia de Ebola, continua "indeterminado", segundo esse organismo internacional.


Na África, a infecção foi constatada após a manipulação de chimpanzés, gorilas, ou outros símios, doentes ou mortos, assim como a partir de antílopes e porcos-espinhos.
Além disso, a infecção pode se originar de morcegos, vistos como um "reservatório natural" provável do vírus Ebola. A transmissão do animal para um morador que viva perto da floresta constitui o ponto de partida de uma epidemia. Ela se propaga, então, na população, diante da falta de medidas preventivas, por meio de fluidos corporais, como sangue, material fecal e vômito, dos doentes, ou de seus cadáveres.


Ebola no Brasil


O Ministério da Saúde informou, no último dia 13, que o resultado do primeiro exame do paciente Souleymane Bah, recém-chegado da Guiné, deu negativo para o vírus ebola. As análises foram feitas pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém, referência número um no assunto no país. Mas outros exames ainda serão realizados.


Na coletiva de imprensa em Brasília, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que as chances de um resultado diferente são consideradas remotas.


"Do ponto de vista prático, ter um primeiro resultado negativo não pode desarticular o conjunto de ações de vigilância e de isolamento do paciente. Todo o protocolo continua sendo seguido até que tenhamos o segundo resultado do exame", afirmou Chioro.


De acordo com Chioro, o Brasil continua sendo um país com pouco risco de transmissão, mas não significa que está imune ao surgimento de algum caso confirmado.