O Filho da Máfia - Parte 16

— Vladimir Correia, que surpresa. — Dizia o elegante homem de vinte e oito anos, trajado com um paletó preto e calças jeans. — O que o traz ao nosso museu? Espero que não seja outro palhaço apaixonado ou problemas com ratos.
— Não senhor Paulo. Na verdade, venho aqui por causa de seu sobrenome: Ragalli. Sua irmã me instruiu a procurá-lo.
— Genaro Esro.
— Sim. Há algum lugar onde possamos conversar mais reservadamente? — Pediu o repórter, observando se não havia ninguém suspeito os vigiando. Logo em seguida, Paulo o levou para o escritório.
— Sabe senhor Vlad, eu nunca quis ser mafioso. De verdade. E essa minha opção causou um desgosto para o meu pai, afinal, eu sou o primogênito da poderosa Família Ragalli, e por mais que eu me esforce em conquistar minhas coisas e me afastar daquele mundo ardiloso, homens de terno e envoltos em crimes e conspirações vem bater à minha porta. — Dizia o curador do museu, enquanto servia duas xícaras de café.
— Antes que fale, senhor Ragalli, eu não pertenço a este mundo ardilosos do qual você se refere, e muito menos sou capanga de alguma destas famílias mafiosas que infernizam São Ângelo. Cai neste caso por causa de uma amizade, a qual prezo muito, e só estou aqui conversando com você, por estar tentando salvar uma vida e desvendar um crime.
— Está certo. Vou acreditar em suas palavras. Então, vamos ao que interessa. O que quer saber?
— Sua irmã me disse para te procurar. Ela me contou que está grávida.
— Não, ela não te contou. Minha irmã é mais esperta do que aparenta, ela permitiu que o senhor descobrisse. O que quer dizer que ela está desesperada.
— Não entendi. — Vlad mostrou-se confuso.
— Pois bem senhor Vlad, como bem sabe meu pai é um dos três mafiosos mais perigosos e poderosos de São Ângelo. Como eu disse, nunca demonstrei interesse em seguir os passos de meu progenitor, e uma caxumba mal tratada fez de mim um primogênito estéril. Os olhos de meu pai então fixaram a imagem de minha irmã, tão linda, tão determinada e tão inteligente, para não dizer, maquiavélica. Ela tem tino para os negócios. Entra em cena, então Pedro Áquila, um pretendente que meu pai escolhera para casar com Mariana. Mas a vida não é feita de certezas, não é? E antes mesmo que Pedro pudesse mostrar suas intensões para com a minha irmã, ela se apaixonou por Genaro Esro. Mais um acaso do destino. — Paulo continuava — Dois inimigos vendo seus filhos se apaixonarem. Outro Romeu e Julieta? Não, não havia espaço para tal tragédia, mas havia a oportunidade de derrubar Germano Valenchinni, aquele velho mafioso, que se não me engano, cumpre pena na cadeia por sua causa, senhor Vlad.
— Não há ninguém na cadeia por minha causa, Paulo. Elas estão por causa dos crimes que cometeram. Mas vamos, continue.
— Está bem. Como eu dizia, os olhos de meu pai e de Raul Esro se encheram de alegria, ou seria ambição? Contudo, mesmo que as bênçãos dos dois patriarcas recaíssem sobre o casal, o número de maldições era bem maior.
— Maldições?
— Sim. Toda a família Valenchinni, Pedro Áquila, todos os filhos bastardos de Raul e meu pai, e qualquer membro das famílias que cobice o poder. E antes que me pergunte, assim como minha irmã, duvido que a tal Nova Ordem tenha algo haver com o sequestro de Genaro. É fato que os assaltos realizado pelo grupo há alguns meses causaram prejuízos aos mafiosos de São Ângelo, o que causa um certo desejo de vingança, mas nada que os torne inimigos declarados. O uso da bandeira vermelha, foi uma jogada, algo para desviar o foco.
— Se você tem tanta certeza do que diz, então acredito que possa me dar algum suspeito. — Disse Vlad.
— Já te passei uma lista considerável. Mas há um fato interessante, um boato que corre pelas vielas e becos de São Ângelo.
— E o que seria?
— Valenchinni teria oferecido a mão de Mariana Ragalli a Pedro Áquila, desde que o casamento não ocorresse.
— Mas como?
— Senhor Vlad, dinheiro, posses... Valenchinni faria o nome de Pedro Áquila como um pequeno mafioso que começava a crescer. O caso era que o casamento entre Genaro e minha irmão não poderia acontecer.
— Mas e depois, Pedro não se tornaria um grande mafioso, o plano de Valenchinni criaria mais um rival.
— Muito improvável. Com certeza Pedro seria um adversário mais fácil de desaparecer, do que Genaro e Mariana.
— Então você me aconselha a começar por Pedro Áquila.
— Eu o aconselho a abandonar o caso, mas sua fama mostra que nem mesmo a morte o impediu de prender uma justiceira, então, só posso aconselhá-lo a tomar cuidado. Passar bem senhor Vlad, e que São Cristóvão abençoe os seus passos.


CONTINUA...


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Perfil

Thiago Rossi
Graduado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, e pós-graduando em Gestão Cultural pelo Senac-BH. Atua como gerente de publicidade do Jornal Folha de Negócios, onde ingressou inicialmente na função de estagiário em 2006. Venceu 3 concursos de criação publicitária na Universidade Presidente Antônio Carlos, além de obter o 1º lugar no concurso de Poesia “Guimarães Rosa” em 2007, na UNIPAC. Aluno da oficina de Produção e Desenvolvimento Cultural da turma 2009 da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes, já publicou dois livretos com os “Contos de Vlad”, além de peças teatrais. É natural de Barbacena, Minas Gerais, nascido em 12 de fevereiro de 1985. Contato: thiagosrossi1985@hotmail.com