O filho da máfia – parte 1

A igreja São Cristóvão se encontrava decorada e repleta de pessoas que aguardavam a chegada da noiva do filho do mafioso Raul Esro, um dos mais temidos chefes do crime de São Ângelo. Genaro era o primogénito e provável herdeiro do império Esro e sua conduta era tida como visionária nas rodas do crime, sendo que outros mafiosos da cidade acreditavam que Genaro seria um homem muito mais temido que seu pai. A jovem destinada a se tornar a mais nova senhora Esro era Mariana Ragalli, filha do também mafioso Antônio Ragalli, que via na união dos jovens uma maneira de aumentar os domínios de sua família.


Convidados importantes, além de membros das duas famílias e também da família de Germano Valenchinni, outro grande mafioso de São Ângelo estavam presentes. A imprensa era representada por alguns jornalistas e colunistas sociais, que tratavam Raul Esro, Antônio Ragalli e Germano Valenchinni como empresários, camuflando suas atividades escusas.


A noiva estava atrasada quinze minutos, e os dois irmãos de Genaro, Miguel e Patrício, procuravam acalmar o noivo, que se mostrava muito nervoso com a cerimônia. Da parte de Mariana, seu irmão Paulo e as primas cochichavam entre si, sem esconder o contentamento com o casamento da bela herdeira Ragalli.


Tudo estava tranquilo, os capangas das três famílias vigiavam todas as entradas, assim como as ruas de acesso à igreja. Então, a noiva entrava exuberante e conquistava os olhares de todos os presentes, que comentavam desde a beleza da jovem até os motivos reais do casamento. Contudo, antes que Mariana alcançasse a metade do caminho até o altar, um bando de homens fortemente armados e trajando uniformes negros, invadiu o templo religioso logo após desarmarem todos os seguranças.


— Nós somos a Nova Ordem e vamos levar o noivo para dar umas voltas, uma despedida de solteiro. Se alguém nos seguir, o rapaz morre! E para garantir, vamos levar a noiva também, que se todos nos obedecerem, será libertada no final da noite. — Disse aquele que parecia ser o líder do bando.


Após saírem da igreja, levando consigo os noivos e todos os celulares dos presentes, o bando lacrou a igreja e desapareceu sem deixar vestígios.


Eram três horas da manhã, o celular de Vlad tocava insistentemente, até que o repórter, um tanto sonolento, atendeu:


— Senhor Vlad? —Disse a voz do outro lado da linha — É Raul Esro, e estou ligando para cobrar aquela sua dívida.


CONTINUA...


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Perfil

Thiago Rossi
Graduado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, e pós-graduando em Gestão Cultural pelo Senac-BH. Atua como gerente de publicidade do Jornal Folha de Negócios, onde ingressou inicialmente na função de estagiário em 2006. Venceu 3 concursos de criação publicitária na Universidade Presidente Antônio Carlos, além de obter o 1º lugar no concurso de Poesia “Guimarães Rosa” em 2007, na UNIPAC. Aluno da oficina de Produção e Desenvolvimento Cultural da turma 2009 da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes, já publicou dois livretos com os “Contos de Vlad”, além de peças teatrais. É natural de Barbacena, Minas Gerais, nascido em 12 de fevereiro de 1985. Contato: thiagosrossi1985@hotmail.com